Quarta-feira, 27 de Junho de 2007

A foto da semana

 

          A escassos quinhentos metros do estacionamento, encosta abaixo, ficava a captação de água que abastecia os cerca de cento e cinquenta militares que constituíam a Companhia. Tratava-se de uma pequena nascente, cujo caudal apenas dava para encher o atrelado que se vê na figura. Para obterem mais alguma água para a higiene pessoal, os soldados improvisaram uma pequena repreza (que de vez em quando os "turras" destruíam). Água essa que era transportada em bidões de duzentos litros. E, mesmo assim, a operação ocupava uma manhã inteira.

          Todas as madrugadas, um pelotão deslocava-se  para o local com as devidas precauções. O que não evitou duas emboscadas que, felizmente, só causaram alguns feridos ligeiros.

          De qualquer forma, ter uma nascente de água potável à mão, era um luxo no planalto de Mueda, que era seco. Outras companhias, como a de Miteda, tinham que arriscar vidas em colunas para a sede do batalhão, só para se abastecerem do precioso líquido. Procedimento este que contrariava e contraria todos os princípios da Logística. Porque competia ao Batalhão abastecer as suas Companhias e não o contrário, como aconteceu.

          Na época das chuvas, quando as nuvens descarregavam com mais fúria, os soldados aproveitavam para tomar banho ao relento. Mas o espectáculo não era famoso...

publicado por Fernando Vouga às 12:17

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Sábado, 23 de Junho de 2007

O justo e o pecador

            Andam para aí umas criaturas que usam os comentários deste blogue para inserir lixo publicitário.

            Por isso, e com os meu pedido de desculpas, resolvi que, durante uns tempos, passará a ser necessário preencher a casa para aquelas letrinhas meio safadas para que o comentário seja publicado.

 

            E, mais uma vez, paga o justo pelo pecador. É a vida...

publicado por Fernando Vouga às 12:14

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Quarta-feira, 20 de Junho de 2007

A foto da semana

          À semelhança do que se passa no "deprofundis" (link ao lado), resolvi inserir neste blogue, semanalmente, uma fotografia que tenha algo a ver com a guerra do Ultramar.

          Com efeito, findo que foi o trabalho de digitalização de películas e diapositivos, parece-me uma pena não partilhar com os leitores deste espaço algumas imagens esclarecedoras.

 

          E aí vai a primeira.

 

Muidumbe, planalto de Mueda, Moçambique - 1966

 

Passo a explicar:

  • À direita, em baixo, uma posição de metralhadora;
  • Na árvore, um posto de observação;
  • As duas barracas, à esquerda e ao centro, são pequenas casernas improvisadas onde, pasme-se, se alojavam vários soldados. Cada uma delas dispõe de um bidon velho para guardar a água das chuvas que caía do telhado e que, por sua vez, era destinada à higiene pessoal dos ocupantes;
  • Em último plano, um telheiro que em tempos serviu de posto de pesagem de algodão e que foi aproveitado para cozinha e refeitório.
publicado por Fernando Vouga às 15:38

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Segunda-feira, 11 de Junho de 2007

Almoço convívio da Companhia de Cavaria 1510

 

 

 

Foi no Domingo passado, dia três de Junho, que passei, não pela rua onde mora a Mariquinhas como cantaria a Amália, mas pela formosa vila acastelada de Montemor-o-Velho. Tudo, porque foi lá que se realizou o almoço convívio da Companhia de Cavalaria 1510, que tive a honra de comandar em Moçambique, de 1966 a1968.
Foram dois anos difíceis, com demasiados acontecimentos trágicos, mas que ficaram gravados na memória de todos. E, como é nos tempos difíceis que as pessoas se tornam mais solidárias, criaram-se entre os cerca de cento e cinquenta antigos militares da 1510, laços de amizade que perduraram até hoje e perdurarão até que o último deles deixe o mundo dos vivos. Ou talvez mesmo depois disso, já que a mística que se criou à roda dessa comissão militar em terras moçambicanas está a ser transmitida a filhos e netos…
 

 

Assim, todos os anos se procura reunir o máximo possível de ex-combatentes e suas famílias para recordarem tempos idos em que se era jovem e sonhador, a despeito da distância à terra Natal, de separação das famílias e dos perigos que se corriam.
Neste ano compareceram quarenta e oito elementos da Companhia, acompanhados por setenta e dois familiares. Durante o almoço, servido num restaurante local, para lá das conversas evocativas, foram exibidas num computador perto de duas centenas de fotos coloridas e a preto e branco nas quais se puderam ver imagens de pessoas e localidades de todos conhecidas mas que ninguém se cansa de recordar.
Parabéns aos organizadores.
 
publicado por Fernando Vouga às 22:34

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