Segunda-feira, 31 de Março de 2008

Uma questão de verticalidade

 

 

            Confesso que desconheço qual será a disposição legal que eventualmente permita às mais altas Chefias das Forças Armadas punir ou tentar punir os militares na situação de reforma. Mas também confesso que, como se costuma dizer em linguagem comum, “me estou nas tintas” para isso. E nem sequer me sinto obrigado a conhecer os regulamentos internos de uma instituição na qual já não sirvo há quase duas décadas. Mais ainda: do Regulamento de Disciplina Militar (RDM) já muito pouco me resta na memória, embora me lembre vagamente de que, uma das suas disposições, talvez a mais ignorada, mandava tratar os “inferiores” com moderação e benevolência. Não sei se esse artigo ainda consta nesse Regulamento…
            Em todo o caso, mesmo que essas Chefias tenham nas mãos ferramentas eficazes para punir militares reformados, o que duvido, manda o mais elementar bom senso que se abstenham de tal procedimento. Tudo porque, ao fazê-lo, se cobrem de ridículo e, consequentemente, desprestigiam as Forças Armadas. Por um lado, reclamam-se os únicos e legítimos defensores dos militares sem excepção (e com isso justificam a sua firme oposição ao sindicalismo) mas, por outro, incapazes de defender seja quem for, querem amordaçar as vozes discordantes, que outra coisa não fazem que não seja defender a sua dignidade e os seus legítimos direitos.
 
            Por mais incrível que pareça, está em curso um processo disciplinar contra um distinto oficial da Força Aérea, o coronel reformado Alves de Fraga porque, no seu blogue “Fio de Prumo”, se limitou a ser eloquente ao manifestar a sua indignação pelo péssimo desempenho de alguns serviços do Hospital da Força Aérea. Serviços esses que constituem uma vergonha que urge denunciar. Foi duro nas suas palavras, é verdade, mas já ninguém acredita que com paninhos quentes se consiga melhorar seja o que for. Perante isso, o CEMFA só tinha um caminho: assumir-se como verdadeiro Chefe e empenhar-se pessoalmente na resolução do caso, mesmo que, para tal, desagradasse ao poder político.
            É que não há boa Chefia sem um mínimo de verticalidade. E um homem vertical não pode ser meigo perante os superiores e implacável com os subordinados. Isso tem nome e chama-se cobardia.
publicado por Fernando Vouga às 18:31

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Sábado, 1 de Março de 2008

Ainda a Academia Militar

 
A equitação nem sempre era ministrada de forma convencional...
   
            Não sei como é agora, mas no meu tempo a equitação era disciplina obrigatória na Academia Militar. Mesmo para os alunos destinados a pilotos da Força Aérea!
            Como será de prever, havia alunos que gostavam de tal actividade, outros que a faziam por obrigação e outros, não muitos, que tinham um verdadeiro pavor aos cavalos. Com efeito, montar a cavalo tem as suas dificuldades, especialmente para os iniciados. Aquilo mete respeito e, enquanto não se lhe apanha o jeito, os andamentos mais rápidos, especialmente o galope, provocam desequilíbrios e frequentes quedas. Pelo que não será de estranhar que muito boa gente tenha medo de montar a cavalo.
            Abro aqui um parêntesis para esclarecer que alguém com medo aos cavalos pode perfeitamente ser corajoso na guerra. Conheço um oficial pára-quedista que se portou com grande valentia na guerra do Ultramar mas que tinha um pavor às aulas de equitação.
            Diga-se, no entanto, em abono da verdade, que os oficiais instrutores não se poupavam a esforços para complicar tudo e tornar as suas aulas um pandemónio. Munidos de chicote, quantas tentavam assustar os pobres animais e fazer com que eles despejassem sem cerimónia os respectivos cavaleiros. E a equitação nem sempre era ministrada de forma convencional... Porém, os acidentes raramente tinham consequências graves.
            E a propósito de medo, conta-se que um instrutor de equitação, na tentativa de convencer um aluno renitente a subir para o cavalo, lhe fez uma prelecção sobre o medo. No final deu-lhe ordem para montar.
            — Ó nosso cadete, suba para o cavalo. Se tem medo, domine-se!
            Mas o aluno não lhe obedecia
            — Olhe lá, não tem vergonha de ter medo?
            O aluno, que pelos vistos tinha mais medo do cavalo do que do instrutor, respondeu:
            — Sim senhor, tenho vergonha… Mas domino-me!
publicado por Fernando Vouga às 19:12

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