Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008

Mais uma história da Academia

 

 

            Esta pequena história passou-se numa das paradas do quartel de Gomes Freire, no meu ano de finalista.
            Como se sabe, naqueles tempos as botas altas eram obrigatórias para todos os oficiais, mesmo que não fossem cavaleiros. O que, obviamente, era extensivo aos cadetes da Academia. Botas essas que eram quase um símbolo do oficialato. As praças usavam botas até aos tornozelos, os sargentos até ao meio da perna e os oficiais até ao joelho. Como complemento dessa peça do uniforme, era obrigatório ter calçadas as respectivas esporas.
            Porém, numa casa onde o respeito pelo plano de uniformes era levado até ao exagero obstinado, no que respeita às esporas a confusão era total. Tudo porque alguns cadetes, especialmente os do curso de Cavalaria, em vez dos esporins (sem roseta e fornecidos pela Academia), usavam esporas verdadeiras com roseta e tudo. O que, para os oficiais instrutores, era uma manifesta quebra de disciplina.
            Assim, numa bela tarde de verão, perante a formatura geral dos cadetes, o  comandante do Corpo de Alunos, de viva voz, deu a seguinte directiva:
            — Verifiquei que, dentre os senhores cadetes, uns andam com esporas e outros com esporins. Ora isso não pode ser. Pelo que, a partir de hoje, para ficar tudo igual, quem tem esporins compra esporas e quem tem esporas compra esporins.
 

 

publicado por Fernando Vouga às 21:52

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2 comentários:
De Paulo sempre a 26 de Fevereiro de 2008 às 01:46
Há dias ouvi um discurso o qual continha esta frase: " A coragem militar de nossos dias deve ser feita de estoicismo e de fria resolução perante a dor e a morte".
Nada a apontar não fosse o facto de estarmos em Portugal no ano de dois mil e oito de Nosso Senhor Jesus Cristo. seria algum "rascunho" de descurso de «teatro de Guerra» do Ex-Últramar português (1961-1964)?
Fez-me lembrar Salazar : " havemos de chorar os mortos quando os vivos os não merecerem".
Abraço
De António José Mendes Dias Trancoso a 6 de Abril de 2008 às 13:50
Afinal, tal como no tempo do Botas, voltamos a chorar, não os mortos, mas por causa dos vivaços -
bem vivos - que, aldrabando, sem pejo nem vergonha, se apoderaram do Poder.
Triste sina, a deste Povo!

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