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QUANTO MAIS QUENTE MELHOR

QUANTO MAIS QUENTE MELHOR

NUNCA POR CALADOS NOS CONHEÇAM

No tempo da "Outra Senhora"

 

CONVERSAR COM SARDINHAS [1]
 
          Foi em Mafra, durante o almoço — na tropa chamam-lhe segunda refeição — que o oficial de dia notou que um soldado cadete do curso de oficiais milicianos estava a ter um comportamento estranho. Não comia e, aparentemente, estava a falar com as sardinhas que tinha no prato. Sardinhas estas que, diga-se em abono da verdade, não primavam pela frescura.
          Ao tempo, e já lá vão mais de quarenta anos, qualquer comportamento anormal nos refeitórios militares era quase sempre tido como suspeito. O que se justificava, pelo facto de o regulamento de disciplina militar em vigor na época ser muito rigoroso ao ponto de obrigar à aceitação, sem hesitações, de toda a alimentação que fosse distribuída. E o caso não era para menos, já que, como se sabe, a comida fornecida andava um tanto longe daquela que se pode ter no Tavares ou no Gambrinus, passe a publicidade. E qualquer tentativa de reclamação era reprimida sem hesitações.
          — Ó nosso cadete, está a falar com as sardinhas?
          O instruendo levantou-se, pôs-se em sentido e respondeu:
          — Estava sim senhor… É que, há dez anos, um irmão meu caiu ao mar e nunca mais foi encontrado. Estava a perguntar-lhes se, por acaso, o teriam visto.
          — E o que é que elas lhe disseram?
          — Que há dez anos já tinham sido pescadas!
 


[1] Esta história foi-me contada por um amigo, mas parece-me boa de mais para ser verdadeira…

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