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QUANTO MAIS QUENTE MELHOR

QUANTO MAIS QUENTE MELHOR

NUNCA POR CALADOS NOS CONHEÇAM

Amor de tia

 

          Dias antes de embarcar para Moçambique, a minha primeira comissão no Ultramar, aproveitando a curta licença que nos era concedida nessas alturas, fui a Lamego despedir-me da família. E uma das visitas obrigatórias nas deslocações à minha terra natal era a minha tia Amélia. Senhora viúva, já perto da casa dos setenta anos, mas que se via que tinha sido uma bonita mulher na sua juventude. Perguntou-me o que ia fazer e qual o meu destino.
          — Vou comandar uma companhia de atiradores. Tanto quanto se sabe, vamos para a região de Mueda, no norte da Província.
          — E esse lugar é bom?
         — Nem por isso, tia. Até agora tem sido considerado um dos mais perigosos de Moçambique…
          Ela ficou por momentos pensativa. Mas depois, de dedo espetado e com um ar de quem dá ordens, disse-me:
          — Olha, quando os terroristas começarem aos tiros, deixa os outros e mete-te atrás de uma árvore até tudo acabar. Não sejas burro…

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