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QUANTO MAIS QUENTE MELHOR

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NUNCA POR CALADOS NOS CONHEÇAM

A foto da semana

Zemba, Angola, 1974

 

            O quadrado mais claro à direita é o quartel de Zemba. Sede de um Batalhão, neste terreno que antes da guerra  fora um terreiro para secar café, estiveram aquartelados durante vários anos cerca de trezentos militares.

            A faixa de terreno à direita era a pista de aterragem para aviões ligeiros. Curta e com uma curva junto ao quartel, era um perigo para as aeronaves. O que justificou os vários acidentes que lá ocorreram.

            À esquerda da figura pode ver-se a sanzala onde viviam umas dezenas de nativos, quase todos capturados em operações. Uma vez instalados, facilmente esqueciam a dureza e penúria que viviam no mato. Construíam as suas palhotas e dedicavam-se às suas culturas tradicionais: mandioca, feijão e milho. Nas imediações procuravam caça e, na época da colheita do café, deslocavam-se para plantações abandonadas onde, sob a protecção das nossas tropas, colhiam toneladas de bagas.

            A fotografia foi tirada no final da época seca (do "cacimbo") e pode ver-se uma queimada. E era aí, nesses terrenos cobertos de cinza fertilizante que preparavam o terreno para ser cultivado.

8 comentários

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    Fernando de Sousa Ribeiro 11.06.2013 17:04

    Camarada José Catalo,

    Fui alferes miliciano da C.Caç. 3535, que esteve em Zemba em 1972/73. Comandei o 2º pelotão e lembro-me perfeitamente da placa a que se refere, que estava mesmo à frente da caserna onde os meus homens estavam alojados. A placa era uma chamada de atenção para o facto de que nós não estávamos ali em gozo de férias...

    Saiba que tenho vindo a acompanhar com muito gosto tudo o que tem publicado no blog que em boa hora resolveu dedicar ao seu batalhão.

    Um grande abraço
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    Fernando Vouga 11.06.2013 17:55

    Caro camarada

    Cheguei a Zemba na primeira quinzena de Maio de 1973 para coordenar a rendição. Trabalhei em conjunto com o seu comandante de Batalhão, de quem guardo as melhores recordações.
    As tropas só começaram a chegar em 15 de Maio.
    Assim sendo, estivemos os dois ao mesmo tempo nessa santa terra.

    Quanto ao blogue, está de momento adormecido por falta de "inspiração". Ou seja, o que se está a passar com as Forças armadas e em especial com quem combateu em África é simplesmente vergonhoso e tira toda a vontade de recordar esses tempos em que sofríamos as agruras da guerra mas fazíamos boas amizades.

    Um grande abraço para si.
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    Fernando de Sousa Ribeiro 11.06.2013 20:02

    Prezado Fernando Vouga,

    Cruzámo-nos, com efeito, em Zemba, naquele já longínquo mês de Maio de 1973. Mas não foi por muitos dias, pois, assim que chegou a vossa companhia operacional que rendeu a minha em Zemba, eu parti para o novo poiso em Ponte do Zádi, no Subsector de Maquela do Zombo, com o encargo de tratar da transferência, na qualidade de receptor, das instalações, material, documentação, etc. Como calcula, não tenho a mais pequena recordação da sua fisionomia. De qualquer modo, depois destes anos todos, "reencontramo-nos" neste cantinho da Internet. Milagres da tecnologia...

    Quanto a este seu blog, é evidente que me interessa sobremaneira tudo o que publicar a respeito de Zemba , mas não deixo de ler com muito interesse todo o resto. Tenho subscrito o feed do blog e, portanto, sou automaticamente notificado sempre que publicar um novo artigo, que não deixo nunca de ler.

    Um forte abraço
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    Fernando Vouga 11.06.2013 20:29

    Caro amigo

    Apesar de eu estar no início da terceira comissão, chamavam-me o "capitão maçarico". Lembra-se?
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    Fernando de Sousa Ribeiro 12.06.2013 23:40

    Confesso que não me lembro de um tal epíteto ter sido aplicado à sua pessoa, mas não me surpreendo. Se o batalhão era maçarico, logo todos os seus elementos teriam que ser maçaricos também, eheheh!

    Três comissões é muita comissão para uma pessoa só! Ainda por cima, em Zemba não podia ter a sua esposa junto de si, no caso de ser casado. Era uma violência.

    No fim disto tudo, ainda por cima, apesar de todos os sacrifícios inauditos por que passaram para conseguir aguentar uma guerra em três frentes distintas durante mais de uma década (feito que poucas forças armadas no mundo poderão reclamar), os antigos combatentes vêem-se hoje confrontados com a mais despudorada falta de consideração por parte de garotelhos sem qualquer experiência de vida, que chegaram (ou querem chegar) aos lugares mais altos da governação através apenas de intrigas e clientelas partidárias. Ao que chegámos!

    Um abraço
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    Fernando Vouga 13.06.2013 09:34

    Caro amigo

    Se por acaso está interessado em saber um pouco mais da minha experiência africana, pode ler o livro anunciado neste blogue, cujo título é "Caminhos perdidos na madrugada".
    Terei muito gosto em oferecer-lhe um exemplar. Para tal, basta saber o seu endereço de correio.
    Um abraço
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    Fernando de Sousa Ribeiro 14.06.2013 01:39

    Caro Fernando Vouga,

    Fico muito desvanecido com a sua oferta que, confesso, não esperava. Se não se importa, aceito a sua oferta, que desde já agradeço. O meu endereço de correio não-electrónico vai seguir por correio electrónico, para o endereço que se encontra na sua página de perfil.

    Um abraço de agradecimento

    Fernando de Sousa Ribeiro
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