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QUANTO MAIS QUENTE MELHOR

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NUNCA POR CALADOS NOS CONHEÇAM

Disciplina Militar

Muidumbe - Moçambique - 1966

 

A ideia de que o Regulamento de Disciplina Militar (RDM) é uma peça vital para o bom funcionamento das Forças Armadas (FA) é profundamente errada. O RDM é apenas um dos muitos regulamentos de que os Comandantes (incluo neste termo Comandantes e Chefes Militares) se servem para se fazerem entender e obedecer. E, esse Regulamento será, sem qualquer sombra de dúvida, o último da lista de ferramentas ao seu dispor.
Na sua essência, a disciplina militar depende, não da força coerciva do RDM, mas da qualidade dos Comandantes a todos os níveis. E o recurso à punição é muitas vezes, talvez quase sempre, o resultado de falhas ou omissões de quem a aplica. E, qualquer Comandante merecedor desse nome sabe muito bem que a punição de um subordinado seu tem sempre um pouco do travo amargo do fracasso.
Reconheço, no entanto, que o RDM é um documento importante no contexto militar. Mas tal facto não tem impedido que lhe tenham sido, ao longo dos tempos, introduzidas alterações significativas, com a finalidade de o adequar ao espírito da época e, sobretudo, à legislação em vigor.
Já vai longe o tempo em que os oficiais tinham poder de vida e de morte sobre os seus soldados; já vai longe o tempo das chicotadas e demais castigos aviltantes (como aviltante é hoje a punição de perda de liberdade). Não dispondo aqui de elementos históricos do que se passou aquando da supressão desse tipo de punições, não me será difícil imaginar a reacção dos Comandos ao verem-se desprovidos de ferramentas decerto consideradas por eles fundamentais para a manutenção da disciplina e coesão das FA.
Os Comandantes não podem temer as mudanças. Já as houve no passado e muitas mais se seguirão no presente e no futuro. O que não podem esquecer é que, como sempre, vai continuar a ser deles, da sua coragem, da sua conduta, do seu exemplo, do seu discernimento, da sua verticalidade, da sua sabedoria, do seu alto sentido de justiça, da defesa intransigente dos legítimos interesses dos seus subordinados, que a coesão e disciplina das Forças Armadas depende em última análise.
 

Banho-Maria

Muidumbe (planalto de Mueda) - Moçambique - 1966

(Imagem recuperada de um diapositivo)

 

          Este Blogue tem estado em banho-maria. A razão é simples. Estou empenhado em digitalizar várias centenas de diapositivos (vulgo “slides”) que guardo num gavetão.
          Trabalho moroso que exige muita paciência e concentração. Porque, sendo a digitalização já de si lenta, o trabalho de restauro é muito demorado e extenuante. A maioria dos ditos diapositivos é muito antiga, diria mesmo em fase terminal de vida, já que têm mais de quarenta anos! As cores estão distorcidas, o “lixo” e as impressões digitais dão uma trabalheira dos diabos a disfarçar. Por vezes há que utilizar dois ou três programas de tratamento de imagem.
          Mas, como uma desgraça nunca vem só, vou estar ausente uns dias.
Espero no entanto que, num futuro próximo, me seja possível ter mais disponibilidade para a escrita. Talvez mesmo as imagens que vou recuperando me sirvam de inspiração.
          A todos os que me costumam visitar, o meu pedido de desculpas.