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QUANTO MAIS QUENTE MELHOR

QUANTO MAIS QUENTE MELHOR

NUNCA POR CALADOS NOS CONHEÇAM

Meditando...

Imagem retirada do Jornal do Exército

 

            A especificidade da profissão militar tem por núcleo caracterizador a completa disponibilidade para o serviço do país daqueles que a exercem. Disponibilidade em termos de tempo e de local de prestação – sem limite de horário e sempre prontos a marchar para onde a missão o requeira, com toda a incomodidade pessoal e familiar que isso representa. E disponibilidade na entrega total à sua missão, tanto física como espiritualmente, comprometendo-se a sacrificar a própria vida na defesa da Pátria, em contrato que estabelecem através de juramento público perante a bandeira nacional.
 
Loureiro Dos Santos
General


            No dia 23 de Julho, o General Loureiro dos Santos apresentou no jornal "O Público" um excelente artigo em que nos dá conta da insatisfação dos militares face aos nossos governantes. A seu ver, dentro de pouco tempo Portugal será talvez o único país do Mundo em que os militares, no respeitante a direitos, serão equiparados a funcionários públicos (mantendo no entanto as suas obrigações, privações e compromissos).
            Subscrevo inteiramente o pensamento do autor do artigo e congratulo-me por haver ainda alguém de prestígio com coragem para enfrentar o poder político. Porém, o texto em epígrafe, retirado do artigo, levou-me a levantar uma questão: estando os militares por juramento obrigados a arriscar a sua vida em defesa da Pátria, quais são as obrigações dos restantes cidadãos, nomeadamente os governantes, nessa matéria?
            Reduzindo a questão ao absurdo para encurtar razões, será possível consentir que, em tempo de guerra, enquanto uns sacrificam a vida no campo de batalha outros vendam armas ao inimigo?
            A resposta óbvia é não. Quando a Pátria está em perigo, ninguém pode ser autorizado a ser “menos patriota”, digamos assim. Por outras palavras, todos nós, civis e militares, seremos obrigados, se necessário, a sacrificar as nossas vidas em sua defesa. Mas, a ser assim, coloca-se fatalmente outra questão: afinal, para que serve o juramento?
  

A foto da semana

Zemba, Angola, 1974

 

            Vista parcial do quartel. Podemos ver à esquerda a capela, ao centro a mess de oficiais e à direita o edifício do comando de Batalhão. As construções, embora toscas, conferiam algum conforto. Pelo menos, pelas fendas entre as tábuas, passava ar suficiente para arrefecer o ambiente...

            De qualquer forma, estas instalações não se podem comparar às barracas de Muidumbe (ver notas anteriores).

A foto da semana

Zemba, Angola, 1974

 

            O quadrado mais claro à direita é o quartel de Zemba. Sede de um Batalhão, neste terreno que antes da guerra  fora um terreiro para secar café, estiveram aquartelados durante vários anos cerca de trezentos militares.

            A faixa de terreno à direita era a pista de aterragem para aviões ligeiros. Curta e com uma curva junto ao quartel, era um perigo para as aeronaves. O que justificou os vários acidentes que lá ocorreram.

            À esquerda da figura pode ver-se a sanzala onde viviam umas dezenas de nativos, quase todos capturados em operações. Uma vez instalados, facilmente esqueciam a dureza e penúria que viviam no mato. Construíam as suas palhotas e dedicavam-se às suas culturas tradicionais: mandioca, feijão e milho. Nas imediações procuravam caça e, na época da colheita do café, deslocavam-se para plantações abandonadas onde, sob a protecção das nossas tropas, colhiam toneladas de bagas.

            A fotografia foi tirada no final da época seca (do "cacimbo") e pode ver-se uma queimada. E era aí, nesses terrenos cobertos de cinza fertilizante que preparavam o terreno para ser cultivado.

A foto da semana

Muidumbe, 1966

 

            Imagem de um avião "Dakota" que acabara de ser alvejado durante a aterragem. Na cobertura do motor esquerdo, por cima da cabeça de um soldado, pode ver-se o buraco de uma bala de grosso calibre.

            Embora o avião não tivesse sofrido danos significativos, e continuasse a voar sem problemas, as consequências para a tropa estacionada em Muidumbe foram graves. A partir daí deixaram de se efectuar voos de reabastecimento com esta aeronave, por se entender demasiado perigoso.

            Tal decisão significou uma redução drástica na quantidade de frescos distribuídos. Porque o DO-27 semanal só levava 3 ou 4 caixas da carne e peixe ( e este, com o calor e as demoras nos embarques, chegava muitas vezes estragado).

A foto da semana

  Vista aérea de Muidumbe.

 

          A imagem foi captada da cabine de um Dornier (DO-27) que se preparava para aterrar na pista que se vê à direita.
          Esta localidade, se assim se pode chamar, era a sede de um Posto Administrativo. No início do combate à guerrilha,  foi utilizada pela Companhia de Atiradores 803 como acampamento provisório durante uma operação. E o provisório tornou-se definitivo.
          Sem as mínimas condições de habitabilidade, sem colchões para as camas, sem casernas, sem latrinas, sem comida decente, a Companhia de Cavalaria 1510, que foi render a 803, permaneceu neste local um ano.