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QUANTO MAIS QUENTE MELHOR

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NUNCA POR CALADOS NOS CONHEÇAM

A foto da semana

Zemba, Angola, 1974

Visita da Presidente do Movimento Macional Feminino

Drª. Cecília Supico Pinto

 

            O Movimento Nacional Feminino (MNF) foi criado no dia 28 de Abril de 1961pela Drª Cecília Supico Pinto, mais conhecida nos meios militares por "Cilinha". Tratava-se de um movimento patriótico de mulheres, que se dedicaram ao apoio moral e, tanto quanto possível, material dos militares que prestavam serviço no Ultramar.

            Para além de outras iniciativas, foi este Movimento que criou os célebres e populares aerogramas. Baratos e por vezes grátis, sem precisarem de selo nem de sobrescrito, tiveram uma larga aderência de militares e famílias como forma prática e rápida de trocarem correspondência postal.

            Nesta foto pode ver-se o autor deste Blogue a falar com a Cilinha e que aproveitou o ensejo para fazer uma reclamação. É que a bola que ela lhe oferecera em Moçambique em 1966 tinha rebentado ao encher... Verdade!

 

 

Se não fosse trágico, era anedótico.

DN - Madeira, 8 de Agosto de 2007

 

            Quem viajar pelo Norte da Europa pelas estradas nacionais, é frequentemente surpreendido por cemitérios de militares. De vários tamanhos e estilos, no Norte da França, nas Ardenas, na Flandres, no Luxemburgo, na Alemanha, apresentam-se sempre limpos e bem cuidados. Sinal de respeito e veneração por aqueles que tombaram no cumprimento do dever.
            Eram militares, quase todos jovens, com uma vida inteira à sua frente e, muitos deles, pouco ou quase nada receberam das suas Pátrias. Caso dos soldados portugueses que combateram na Flandres durante a primeira Grande Guerra, a quem nem sequer foram ministradas as primeiras letras. Caso também da maioria dos soldados que combateram na guerra colonial…
            Esta notícia choca pela sua irracionalidade e pelo que tem de insólito. Porque nos outros países veneram-se os caídos. Aqui, é o que se vê.

A foto da semana

Zemba, Região dos Dembos, Norte de Angola, 1974

 

            As populações dos Dembos que se encontravam fora do controlo das Autoridades portuguesas, no Norte de Angola, eram maioritariamente controladas pela FNLA. Viviam na maior miséria e sofrimento. Nos seus acampamentos provisórios, no interior da floresta, faltava quase tudo. E, como se tal não bastasse, por um lado, eram perseguidas pelas tropas que combatiam a guerrilha, que tentavam trazê-las para a vida normal. Por outro lado, eram explorados pelos próprios guerrilheiros que, à passagem pelas aldeias, lhes roubavam tudo, além de lhes infligirem maus-tratos.
            Teve um dia o Comandante do meu Batalhão, Tenente-coronel Ribeiro Simões, a ideia de lançar nas picadas fotografias dos habitantes da sanzala de Zemba (quase todos capturados no mato e que se encontravam com bom aspecto). Normalmente tal lançamento era feito após novas capturas, para que fosse fácil concluir que não só não matávamos os recuperados (os mais recentes apareciam sempre na companhia de outros mais antigos), como lhes dávamos uma vida “invejável”, dadas as circunstâncias.
            Como resultado, começaram a apresentar-se famílias inteiras, como a da figura. O que nos causou uma certa apreensão porque temíamos não conseguir apoiar devidamente os apresentados e assim estragar tudo.
            Mas não houve azar. Dentro de curtos meses era Abril de 74…