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QUANTO MAIS QUENTE MELHOR

QUANTO MAIS QUENTE MELHOR

NUNCA POR CALADOS NOS CONHEÇAM

Só pode ser piada

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 Imagem retirada da NET

 

      A 4 de Março de 2001 morreram 59 pessoas devido ao colapso da ponte Hintze Ribeiro no rio Douro quando estava a ser atravessada por um autocarro e dois automóveis. As averiguações que se seguiram ao acidente apontaram para graves negligências de manutenção a qual, se tivesse sido devidamente efectuada, garantiria o bom estado dessa obra de arte.
      Deste incidente, apesar do tremendo choque causado, resultou apenas o pedido de demissão do ministro do Equipamento Social, um senhor qualquer coisa Coelho que, a propósito, afirmou que a culpa não poderia morrer solteira. O que não viria a acontecer, já que todos os arguidos foram absolvidos. Algo que se compreende porque, no fim da linha, está a responsabilidade do Estado que não dá às suas organizações os meios materiais e humanos para desempenharem cabalmente as suas funções.
      No mês passado, em Ponte de Sor, dois filhos do embaixador do Iraque espancaram um jovem de quinze anos deixando-o às portas da morte. Seguiu-se o alarido do costume mas parece que tudo vai ficar em águas de bacalhau.
      De quando em vez, morre fulminado um jogador de futebol em pleno campo e, que se saiba, ainda ninguém foi responsabilizado.
      Há poucos dias, durante a instrução das tropas de Comandos, dois instruendos morreram em consequência de insolações e quatro foram internados no hospital pelo mesmo motivo. Como sempre nestes casos, gerou-se uma grande algazarra ao ponto de se exigir a crucificação dos Comandos e, se possível, das Forças Armadas. Tudo parece indicar que, se não rolarem cabeças na organização militar, vai ser o fim do mundo.
      Será de perguntar: o que se passa? Será que estas mortes, lamentáveis como tantas outras evitáveis, têm algo especial para merecerem tanto ruído? Será que as Forças Armadas dispoem de recursos humanos e materiais de excelência e não têm o direito de falhar? Será que, desta vez, o Estado está livre de toda e qualquer responsabilidade?
      Não me parece.
      Porém o Excelentíssimo Senhor Presidente da República afirmou há dias o desejo de que as investigações cheguem “até às últimas consequências”. O que só pode ser piada. Porque ele, comandante supremo das Forças Armadas é, por inerência estatutária, o primeiro responsável por tudo o que se faça ou deixe de se fazer nas tropas que comanda. Logo...