Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

QUANTO MAIS QUENTE MELHOR

QUANTO MAIS QUENTE MELHOR

NUNCA POR CALADOS NOS CONHEÇAM

Mais uma história da Academia

 

 

            Esta pequena história passou-se numa das paradas do quartel de Gomes Freire, no meu ano de finalista.
            Como se sabe, naqueles tempos as botas altas eram obrigatórias para todos os oficiais, mesmo que não fossem cavaleiros. O que, obviamente, era extensivo aos cadetes da Academia. Botas essas que eram quase um símbolo do oficialato. As praças usavam botas até aos tornozelos, os sargentos até ao meio da perna e os oficiais até ao joelho. Como complemento dessa peça do uniforme, era obrigatório ter calçadas as respectivas esporas.
            Porém, numa casa onde o respeito pelo plano de uniformes era levado até ao exagero obstinado, no que respeita às esporas a confusão era total. Tudo porque alguns cadetes, especialmente os do curso de Cavalaria, em vez dos esporins (sem roseta e fornecidos pela Academia), usavam esporas verdadeiras com roseta e tudo. O que, para os oficiais instrutores, era uma manifesta quebra de disciplina.
            Assim, numa bela tarde de verão, perante a formatura geral dos cadetes, o  comandante do Corpo de Alunos, de viva voz, deu a seguinte directiva:
            — Verifiquei que, dentre os senhores cadetes, uns andam com esporas e outros com esporins. Ora isso não pode ser. Pelo que, a partir de hoje, para ficar tudo igual, quem tem esporins compra esporas e quem tem esporas compra esporins.
 

 

2 comentários

Comentar post