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QUANTO MAIS QUENTE MELHOR

QUANTO MAIS QUENTE MELHOR

NUNCA POR CALADOS NOS CONHEÇAM

Ainda a Academia Militar

 
A equitação nem sempre era ministrada de forma convencional...
   
            Não sei como é agora, mas no meu tempo a equitação era disciplina obrigatória na Academia Militar. Mesmo para os alunos destinados a pilotos da Força Aérea!
            Como será de prever, havia alunos que gostavam de tal actividade, outros que a faziam por obrigação e outros, não muitos, que tinham um verdadeiro pavor aos cavalos. Com efeito, montar a cavalo tem as suas dificuldades, especialmente para os iniciados. Aquilo mete respeito e, enquanto não se lhe apanha o jeito, os andamentos mais rápidos, especialmente o galope, provocam desequilíbrios e frequentes quedas. Pelo que não será de estranhar que muito boa gente tenha medo de montar a cavalo.
            Abro aqui um parêntesis para esclarecer que alguém com medo aos cavalos pode perfeitamente ser corajoso na guerra. Conheço um oficial pára-quedista que se portou com grande valentia na guerra do Ultramar mas que tinha um pavor às aulas de equitação.
            Diga-se, no entanto, em abono da verdade, que os oficiais instrutores não se poupavam a esforços para complicar tudo e tornar as suas aulas um pandemónio. Munidos de chicote, quantas tentavam assustar os pobres animais e fazer com que eles despejassem sem cerimónia os respectivos cavaleiros. E a equitação nem sempre era ministrada de forma convencional... Porém, os acidentes raramente tinham consequências graves.
            E a propósito de medo, conta-se que um instrutor de equitação, na tentativa de convencer um aluno renitente a subir para o cavalo, lhe fez uma prelecção sobre o medo. No final deu-lhe ordem para montar.
            — Ó nosso cadete, suba para o cavalo. Se tem medo, domine-se!
            Mas o aluno não lhe obedecia
            — Olhe lá, não tem vergonha de ter medo?
            O aluno, que pelos vistos tinha mais medo do cavalo do que do instrutor, respondeu:
            — Sim senhor, tenho vergonha… Mas domino-me!

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