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QUANTO MAIS QUENTE MELHOR

QUANTO MAIS QUENTE MELHOR

NUNCA POR CALADOS NOS CONHEÇAM

Uma questão de verticalidade

 

 

            Confesso que desconheço qual será a disposição legal que eventualmente permita às mais altas Chefias das Forças Armadas punir ou tentar punir os militares na situação de reforma. Mas também confesso que, como se costuma dizer em linguagem comum, “me estou nas tintas” para isso. E nem sequer me sinto obrigado a conhecer os regulamentos internos de uma instituição na qual já não sirvo há quase duas décadas. Mais ainda: do Regulamento de Disciplina Militar (RDM) já muito pouco me resta na memória, embora me lembre vagamente de que, uma das suas disposições, talvez a mais ignorada, mandava tratar os “inferiores” com moderação e benevolência. Não sei se esse artigo ainda consta nesse Regulamento…
            Em todo o caso, mesmo que essas Chefias tenham nas mãos ferramentas eficazes para punir militares reformados, o que duvido, manda o mais elementar bom senso que se abstenham de tal procedimento. Tudo porque, ao fazê-lo, se cobrem de ridículo e, consequentemente, desprestigiam as Forças Armadas. Por um lado, reclamam-se os únicos e legítimos defensores dos militares sem excepção (e com isso justificam a sua firme oposição ao sindicalismo) mas, por outro, incapazes de defender seja quem for, querem amordaçar as vozes discordantes, que outra coisa não fazem que não seja defender a sua dignidade e os seus legítimos direitos.
 
            Por mais incrível que pareça, está em curso um processo disciplinar contra um distinto oficial da Força Aérea, o coronel reformado Alves de Fraga porque, no seu blogue “Fio de Prumo”, se limitou a ser eloquente ao manifestar a sua indignação pelo péssimo desempenho de alguns serviços do Hospital da Força Aérea. Serviços esses que constituem uma vergonha que urge denunciar. Foi duro nas suas palavras, é verdade, mas já ninguém acredita que com paninhos quentes se consiga melhorar seja o que for. Perante isso, o CEMFA só tinha um caminho: assumir-se como verdadeiro Chefe e empenhar-se pessoalmente na resolução do caso, mesmo que, para tal, desagradasse ao poder político.
            É que não há boa Chefia sem um mínimo de verticalidade. E um homem vertical não pode ser meigo perante os superiores e implacável com os subordinados. Isso tem nome e chama-se cobardia.

3 comentários

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    Fernando Vouga 05.04.2008 17:36

    Caro António Trancoso

    Não relacionado com o processo disciplinar do coronel Alves de Fraga, há ainda um aspecto a ter em conta, como consequência da forma de como hoje são nomeadas as Chefias Militares. Uma vez que não há qualquer interferência das Forças Armadas, a sua representatividade desapareceu. Da mesma forma que a ministra da Educação, por exemplo, não representa os professores, os Chefes de Estado maior já não representam os militares.
    A teoria de que eles são os legítimos representantes dos interesses da classe militar é um mito. Nunca se viu um dirigente sindical ser nomeado pela entidade patronal...
    Tudo isto é feito porque a classe política de hoje é fruto da chamada "geração J". Não sabe nada de nada. Legisla para o imediato (porque não conhece a fundo as instituições que tutela) e as consequências estão à vista. A Condição Militar foi assim liquidada. Já não existe pura e simplesmente. Ou melhor, só existe para prejudicar os militares (com a devida conivência obediente dos Chefes).
    Este (des)Governo não passa de uma comissão liquidatária. Com a desculpa de reformar tudo e todos, está a destruir o próprio Estado e, o mais grave, os pilares da sua sustentação.
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    António José Mendes Dias Trancoso 07.04.2008 14:22

    Meu Caro Amigo
    Acabo de ser, mais uma vez, surpreendido pela notícia, dada pelo Senhor Fernandes Torres, no "Fio de Prumo", de que está em preparação mais uma machadada nos Direitos Cívicos.
    Se isto não é uma caminhada para uma Situação Fascista, aqui lhe deixo um apelo, ou a quem quer que seja, que me explique, que raio de coisa é esta.
    Um abraço.
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