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QUANTO MAIS QUENTE MELHOR

QUANTO MAIS QUENTE MELHOR

NUNCA POR CALADOS NOS CONHEÇAM

Tiro no pé

 

 

Como querem que amanhã na guerra eu faça o que deva fazer, se hoje me faltar a coragem para dizer aquilo que penso.
 
Coronel Serpa Soares (Comandante da Escola Prática de Cavalaria – 1957-58)
 
 
          O actual Regulamento de Disciplina Militar (RDM), acabado de ser promulgado pelo Presidente da República, pela sua concepção retrógrada, constitui um tremendo disparate — um autêntico tiro no pé— só comparável ao tristemente famoso decreto 353/73 do General Sá Viana Rebelo. Decreto este que, como se sabe, veio a dar o pontapé de saída ao 25 de Abril.
          Parece assim que os actuais responsáveis, políticos e militares, já esqueceram a lição da “Brigada do Reumático”, em que se provou que a hierarquia militar da altura não tinha qualquer prestígio nem controlo sobre os seus subordinados. O que significa que as medidas repressivas, então implementadas, não resolveram nada.
          Pretender subjugar os militares através da intimidação, para lá de lhes criar eventuais hábitos de mentira e cobardia, só vai aumentar o fosso entre comandantes e comandados. Uma tropa assim poderá apresentar-se com grande luzimento em paradas, desfiles e demonstrações, mas falhará na hora da verdade.
 
          Porém, como se tal não chegasse, este RDM permite a punição de militares na reforma. Algo nunca visto, mas que tem tanto de enviesado como de imprudente. Para lá de tal medida não ser minimamente credível e a sua eficácia ser mais que duvidosa. O que é, no mínimo, caricato, para não dizer grotesco.
          Pelo que me diz respeito, vou continuar a dizer e escrever o que penso. Aqui e onde me apetecer. Se me punirem, o que não me afectará minimamente, terei o cuidado de não poupar os meus comentários. E prometo desde já que, se tal me acontecer, encaixilharei o texto da punição, para ser colocado em local de destaque da minha sala de estar. Ser punido por um regulamento iníquo não é nenhuma vergonha. Antes pelo contrário, é uma honra.
 

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