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QUANTO MAIS QUENTE MELHOR

QUANTO MAIS QUENTE MELHOR

NUNCA POR CALADOS NOS CONHEÇAM

Despesa que não morreu

 Imagem retirada da NET

 

De CARLOS MATOS GOMES (*):


 

«Os militares perderam o fundo de pensões. Era apenas um reconhecimento, porque o reconhecimento dos seus concidadãos e dos que os representam, é (ou era) o seu único fundo. Se, para os seus concidadãos e para os políticos, os militares são apenas funcionários a termo e em mobilidade especial, porque teriam um fundo de pensões para a velhice? Um soldado velho, é apenas um velho com memórias estranhas. É como um cão velho, que os novos donos hesitam em esperar que morra ou matá-lo.
Além do fundo de pensões devia-lhes ser retirado o direito a dizerem quem são, o que viveram. Deviam ser obrigados a usar um cartaz ao pescoço: «Despesa que não morreu!»



 

(*) Coronel de Cavalaria Comando, reformado, escritor e ensaísta com vasta obra publicada. Em muitas das suas obras utiliza o pseudónimo de Carlos Vale Ferraz.

10 de Junho

Imagem retirada da NET
Acabei de receber, via correio electrónico, a peça que, pelo seu interesse, aqui transcrevo na íntegra:

Depois do "10 de Junho dos Combatentes"

 

 

          A insurgência nos territórios ultramarinos portugueses, não tinha nada a ver com movimentos nacionalistas. Primeiro, porque não havia (como ainda não há) uma nação angolana, uma nação moçambicana ou uma nação guineense, mas sim diversos povos dentro do mesmo território. E depois, porque os movimentos de guerrilha foram criados e financiados por outros países.


          ANGOLA – A UPA, e depois a FNLA, de Holden Roberto foram criadas pelos americanos e financiadas (directamente) pela bem conhecida Fundação Ford e (indirectamentre) pela CIA. O MPLA era um movimento de inspiração soviética, sem implantação tribal, e financiado pela URSS. Agostinho Neto, que começou a ser trabalhado pelos americanos, só depois se virando para a URSS, tinha tais problemas de alcoolismo que já não era de confiança e acabou por morrer num pós-operatório. Foi substituído por José Eduardo dos Santos, treinado, financiado e educado pelos soviéticos. A UNITA começou por ser financiada pela China, mas, como estava mais interessada em lutar contra o MPLA e a FNLA, acabou por ser tolerada e financiada pela África do Sul. Jonas Savimbi era um pragmático que chegou até a um acordo com os portugueses.

 

          MOÇAMBIQUE - A Frelimo foi criada por conta da CIA. O controleiro do Eduardo Mondlane era a própria mulher, Janet, uma americana branca que casou com ele por determinação superior. Mondlane foi assassinado por não dar garantias de fiabilidade, e substituído por Samora Machel, que concordou em seguir uma linha marxista semelhante à da vizinha Tanzânia. Quando Portugal abandonou Moçambique, a Frelimo estava em tal estado que só conseguiu aguentar-se com conselheiros do bloco de leste e tropas tanzanianas e guarda pessoal da Zâmbia.

 

          GUINÉ – O PAIGC formou-se à volta do Amílcar Cabral, um engenheiro agrónomo vagamente comunista que teve logo o apoio do bloco soviético. Era um movimento tão artificial que dependia de quadros maioritariamente caboverdeanos para se aguentar (e em Cabo Verde não houve guerrilha). Expandiu-se sobretudo devido ao apoio da vizinha Guiné-Conakry e do seu ditador Sekou Touré (natural da Guiné Portuguesa), cujo sonho era eventualmente absorver a Guiné Portuguesa.

Em resumo, territórios portugueses foram atacados por forças de guerrilha treinadas, financiadas e armadas por países estrangeiros.


          Segundo o Direito Internacional, Portugal estava a conduzir uma guerra legítima. E ter combatido em três frentes simultâneas durante 13 anos, estando próximo da vitória em Angola e Moçambique e com a situação controlada na Guiné, é um feito que, militarmente falando, é único na História contemporânea.

 

          Então, porque é que os Portugueses parecem ter vergonha de se orgulhar do que conseguiram?

 

 

          Porque foi assaltado por um bando de traidores que tudo fizeram e fazem para destruir o patriotismo português e apenas focalizados em defender interessesestrangeiros, como os comunistas a defenderem os interesses soviéticos...

 


(publicado em 01/Jun/2013, por Jonathan Llewellyn, em "Publicações recentes de outras pessoas")

 

Mas que golpada!

Imagem retirada da NET 

 

PROJETO DE LEI N.º 249/XII (1.ª) REINTEGRAÇÃO AO ABRIGO DO DECRETO-LEI N.º 173/74, DE 26 DE ABRIL

Exposição de motivos

Foram muitos os servidores do Estado, civis e militares, que contribuíram para a queda do regime fascista em Portugal. Foram muitos os que perante ordens superiores preferiram não obedecer às mesmas, colocando as suas vidas e as suas carreiras em risco. Muitos foram alvo de uma perseguição feroz do Estado. Muitos foram obrigados a abandonar o país, prosseguindo as atividades de confrontação ou de fragilização do regime em outros pontos do globo.
Ora, todas estas pessoas, sem exceção, devem merecer a proteção e o reconhecimento do Estado Português.
Neste sentido, no dia 26 de abril de 1974 foi publicado o Decreto-Lei n.º 173/74. Neste diploma consagrouse uma amnistia aos crimes políticos e infrações da mesma natureza e estabelece-se a reintegração nas suas funções os servidores do Estado que tenham sido demitidos, reformados, aposentados ou passados à reserva compulsivamente e separados do serviço por motivos de natureza política. Por outro lado, este Decreto-Lei também prevê que as expetativas legítimas de promoção que não se efetivaram por tais situações devem ser contempladas.
Posteriormente, o decreto-lei foi regulamentado e teve mesmo algumas situações em que foi reposto o prazo para os cidadãos requererem o que tal diploma determina. Estão em causa os Decretos-Leis n.os 498F/74, de 30 de setembro, 475/75, de 1 de setembro, 349/78, de 21 de novembro, e 281/82, de 22 de agosto.
No entanto, nem todos os cidadãos que poderiam beneficiar deste regime foram contemplados, por diferentes motivos.
Ora, sendo certo que o reconhecimento destas situações é um dever do Estado para com cidadãos que lutaram pela democracia, urge diligenciar no sentido de resolver definitivamente tais situações, dando mais uma oportunidade para os mesmos requererem os direitos que o Decreto-Lei n.º 173/74, de 26 de abril, estabelece.
O presente projeto de lei, sem prejuízo de outras iniciativas, visa corrigir a situação de militares e ex- militares que não beneficiaram da reintegração a que poderiam ter direito.
Assim, nos termos constitucionais e regimentais aplicáveis, as Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda, apresentam o seguinte projeto de lei:

Artigo 1.º Objeto

A presente lei determina a reabertura da possibilidade de requerer a reintegração, por militares e ex-militares, ao abrigo do Decreto-Lei n.º 173/74, de 26 de abril.

Artigo 2.º Revisão

1-    Pode ser requerida por militares e ex-militares, no período de 180 dias a contar da publicação da presente lei, a reintegração prevista no Decreto-Lei n.º 173/74, de 26 de abril.

2- O disposto no artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 173/74, de 26 de abril, é igualmente aplicável aos militares e ex-militares que já tiverem sido reintegrados ao abrigo de outras disposições legais, desde que tenham sido lesados nas suas legítimas expectativas.
3- Os interessados cujos requerimentos tenham sido indeferidos por extemporaneidade podem voltar a apresentar requerimento.
4- Nos casos de incapacidade ou falecimento, os benefícios da reintegração prevista neste diploma poderão ser requeridos pelos seus cônjuges, ascendentes ou descendentes.

Artigo 3.º Regulamentação e produção de efeitos

O governo aprova, em 30 dias, mediante decreto-lei, a regulamentação e as normas necessárias à boa execução da presente lei e, tendo em conta o disposto no artigo 167.º, n.º 2 da Constituição, define o regime de produção dos seus efeitos no plano financeiro e organizativo, nomeadamente, a data de início de pagamento nos termos da reintegração decretada.

Assembleia da República, 4 de junho de 2012.
Os Deputados do BE: Luís Fazenda — Mariana Aiveca — Cecília Honório — João Semedo — Pedro Filipe Soares — Francisco Louçã — Ana Drago — Catarina Martins

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41 | II Série A - Número: 190 | 6 de Junho de 2012


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Comentário do "Quanto mais Quente Melhor":


          Note-se o inocentissimo "sem exceção" do segundo parágrafo. A ser aprovada a proposta, muita gente que saíu do país apenas para fugir à guerra (e não por razões políticas), será beneficiada. É bom não esquecer que muitos dos desertores — é assim que designam os que fugiram — eram filhos de famílias poderosas ligadas ao regime salazarista e aos quais a PIDE fechava, muito convenientemente, os olhos.

Uma carta esclarecedora

Com a devida vénia, transcrevo uma carta cujo conteúdo dispensa quaisquer comentários da minha parte.



Linda-a-Velha, 25 de Julho de 2012


Ao Major General
José Filipe Arnaut Moreira
Chefe de Gabinete de Sua Exa o Ministro da Defesa Nacional Senhor General


          Em 24 de janeiro p.p. dirigi-lhe carta, solicitando dar conhecimento de situação que sucintamente ali expunha, a Sua Exa O Ministro, avançando poder apresentar outros elementos , se necessários para esclarecer a situação.

          Nada foi solicitado.

          Escrevi-lhe, na firme convicção de poder contar com a sua honestidade e ética profissional.

          Ainda que nada possa desmentir, não ter o sr General transmitido – como lhe era solicitado – o assunto a Sua Exa o Ministro., o que é um facto é que o assunto complicou-se, arrastando-se sem solução até aos dias de hoje.

          Tendo já merecido, por incumprimento de decisão judicial do TCA – Sul de 12.1.2012 e por recusa tácita de prestação de informação legalmente devida : queixa ao 1o Ministro, queixa à Assembleia da Republica e, por fim, queixa-crime, por “denegação de justiça” à Procuradoria Geral da Republica.

          Igualmente espero, em breve avançar com processo de indemnização contra o Estado.

          E tudo por que, o MDN, na esteira de ordenar ao BPI-Pensões para actualizar o processo e pagar, quando o BPI-Pensões lhe solicita o fornecimento de “orientação” para o cumprimento do acórdão, nem sequer se digna responder.

          Talvez que o sr Secretário de Estado, se esqueça (ou não saiba) os procedimentos a que é obrigado, quando ao serviço da administração pública, julgando – quem sabe – encontrar-se no desempenho de actividade privada, nomeadamente como director financeiro no Metro do Porto.

          Senhor General: os nossos valores são necessariamente diferentes. Bastará o numero de anos que passei no Ultramar, onde iniciei a vida como Alferes. Nenhum de nós é melhor que o outro. Mas somos diferentes. Aquilo que lhe pode despertar profundo interesse, pode não ter qualquer importância para mim e vice-versa. Só que a dimensão dos problemas , só pode ser avaliada por quem os vive. Quem conhece a dificuldade da pega , não é o espectador que está na bancada, mas o forcado que a vai executar.

          Tenho dívidas, que poderiam ser ( se não a totalidade, pelo menos em grande parte, se sacado 40% de IRS à cabeça) liquidadas, pelo dinheiro que o BPI-Pensões me deve. Mas tenho a vida infernizada , sem necessidade, pois que em estado de saúde muito pouco famoso (estenose aórtica grave, osteoporose com 3 vertebras colapsadas e insuficiência renal fase IV) e com 80 anos, estou “no terço superior da escala de promoção por distinção” para o Outro Mundo, o que a suceder, vai deixar a mulher – sem necessidade nenhuma – cheia de problemas, e tudo, por que o Estado tem um comportamento, incompetente, irresponsável e caloteiro, que em nada se coaduna com um Estado de Direito Democrático, recordando a declaração de uma portuguesa que em tempos, no extinto jornal A CAPITAL, se interrogava sobre o Estado em que vivíamos seria “ de sacanas governados por bananas; ou de bananas, governado por sacanas”.

          Os Governos mudam, mas os problemas mantêm-se. E manter-se-ão, enquanto persistirem em tratar o Estado como uma empresa.

          Sua Exa o Ministro não gostou das declarações do Bispo das FA, D. Januário Torgal. Está no seu direito. Não iria tão longe. Mas não tenho a mínima dúvida, e afirmo, sem o mínimo resquício de dúvida, ter o Governo (na pessoa do Secretário de Estado da Defesa Nacional e dos serviços do Ministério afins) um comportamento INCOMPETENTE, IRRESPONSÁVEL E CALOTEIRO.

          E isto, sr General, solicito-lhe que o transmita a Sua Exa o Ministro. Queira sr General, receber os meus melhores cumprimentos


Eduardo Matos Guerra – Cor.Cav. (ref) 

Para meditar

 

 Imagem retirada da NET

 

"Hammerstein ou a intransigência"

 

"Quando alguém perguntou ao General Hammerstein (1878-1943, opositor de Hitler) como avaliava os seus oficiais, respondeu: "Eu distingo quatro espécies. Há os oficiais inteligentes, os trabalhadores, os idiotas e os preguiçosos. Geralmente essas qualidades aparecem aos pares. Uns são inteligentes e trabalhadores e devem ir para o estado-maior. Os seguintes são idiotas e preguiçosos; constituem 90% de todo o exército e são aptos para as tarefas de rotina. Aquele que for inteligente e ao mesmo tempo preguiçoso qualifica-se para as mais altas funções de comando, pois ele trará a clareza intelectual e a força nervosa para tomar as decisões difíceis. É preciso tomar cuidado com quem seja idiota e trabalhador, pois ele nunca provocará senão desastres." (Em "Hammerstein ou a intransigência" de Hans Magnus Enzensberger) 

 

 

 

 

 

Que Pátria?

 

           Como sabemos, Portugal foi o único reino da península ibérica que não foi absorvido por Castela. Diga-se porém, em abono da verdade que, dentre os povos peninsulares, os portugueses não são os que mais se diferenciam dos castelhanos. Estou a pensar, como exemplo, nos Bascos e nos Catalães. Quero com isto dizer que talvez não tivessem sido as razões étnicas o factor preponderante para o separatismo luso.

          Na minha modestíssima opinião há um factor que, no mínimo, fez pesar o prato da balança: o imperialismo da Inglaterra, a maior potencia marítima europeia. Porque um dos principais objectivos dos ingleses  foi sempre bloquear o acesso ao mar aberto por parte das potências continentais, incluindo a Espanha. Objectivo esse conseguido na península com o apoio à separação do reino de Portugal, que ficou na posse das costas mais acessíveis. Mais tarde, em 1740, tal objectivo foi consolidado com a tomada de Gibraltar.

          Recorde-se que, talvez por força dessa estratégia, foram eles que em 1385 e 1640 nos prestaram uma ajuda preciosa para que continuássemos independentes. O que se repetiu na Guerra Peninsular, nos tempos de Bonaparte.

 

          Por outro lado, sendo um país com poucos recursos, numa época em que quem não expandisse o território estava condenado, Portugal encontrou no mar o único caminho para a sua sobrevivência e afirmação.

Deu-se assim início uma epopeia heróica, de vários séculos, com altos e baixos, em que nós nos afirmámos como potencia colonialista. Foi, por assim dizer, o nosso “emprego” durante quatro séculos. O que, convenhamos, até era bem visto e invejado pela maior dos países europeus.

          Mas já que falo de invejas, lembro que os nossos territórios ultramarinos foram alvo de cobiça das outras potências colonialistas. E Portugal sabia-o bem quando entrou na Guerra de 14-18. Fê-lo porque estava ciente que a guerra iria resultar numa nova ordem mundial, com a consequente partilha de África. Se não alinhasse ao lado do vencedor, perderia as colónias.

          Ironicamente, no conflito mundial que se seguiu, Salazar percebeu que, se entrasse na guerra, teria de se submeter  aos interesses de forças mais poderosas e que teria de abrir mão desses territórios. Ao que parece, sabia que a nova ordem mundial resultante da guerra iria impor o fim do colonialismo europeu. Previsão que se veio a confirmar.

          Com efeito, terminado o conflito, as duas únicas potências vencedoras, os EUA e a URSS, determinaram o que já se temia: o fim dos impérios coloniais europeus. Abro aqui um parêntesis para esclarecer que toda a Europa foi derrotada: ingleses, franceses, alemães italianos e por aí fora, incluindo os países que não participaram na guerra.

          É bom de ver que as nossas colónias estavam, a partir daí, condenadas. E acredito que foi nesse ponto que Salazar falhou. Ele sabia que a ameaça se estava a concretizar mas não conseguiu encontrar uma resposta que minimizasse os estragos. Nesse particular, concordo com Fernando Dacosta (meu colega de liceu) que insinua que o ditador acreditava na inevitabilidade de uma 3ª guerra mundial e que daí resultaria uma nova ordem que talvez nos fosse favorável. E enquanto o pau vai e vem...

          Eu entendo o drama de Salazar. Entregar os territórios seria a destruição das bases de sustentação da Pátria tal como ele a entendia e o consequente desmoronamento de toda a estrutura. Provavelmente não quis arcar com as responsabilidades de tão pesada tarefa. Nem de enfrentar os perigos inerentes. Recorreu à guerra, talvez para ganhar tempo, mas a Nação esgotou-se e o resultado está à vista. Perdemos o “emprego” e não sabemos como resolver a questão. A menos que encontremos novos objectivos nacionais que motivem os portugueses, estaremos condenados ao desaparecimento. Na melhor das hipóteses, seremos “dissolvidos” noutras culturas onde ficaremos com o direito de continuar cantar o fado e pouco mais...

 

          Estaremos assim no meio de um nó cego, quase impossível de desatar. Se por um lado, a falta de um rumo a seguir, nos enche de escolhos ­— para quem não sabe para onde quer ir todos os caminhos são bons — , a crise económica colocou-nos às portas do desespero. E, como se tal não bastasse, os índices de natalidade em Portugal são assustadoramente baixos.

          Resta-me deixar no ar uma pergunta, para a qual não encontro resposta: que Pátria teremos daqui a vinte anos?

Vocação Militar

            

Imagem retirada da NT 

 

 

 

             No passado dia 1de Fevereiro, o Ministro da Defesa Nacional (MDN), José Pedro Aguiar-Branco, no almoço-debate da Revista Segurança e Defesa, proferiu um curto discurso do qual se salientam as seguintes passagens:

 

 

             […] Deixem-me ser implacável na objetividade: um militar não é um funcionário público. Não trabalha das nove às seis. Não é um funcionário da CP. Não conta nem cobra os quilómetros que faz ao serviço do país. Não é um professor. Não discute a avaliação que dele é feita.

 

             Ser militar não é uma profissão como as outras. Ser militar não é um emprego como os outros.

 

             Ser militar não é sequer carreira com progressão automática ou com as regras que conhecemos lá fora.

 

             Ser militar é servir o país em armas, por mais duro, por mais trabalhoso, por mais difícil que seja. Ser militar é uma vocação. Que ninguém tenha dúvida alguma sobre isso.

 

 

 

             […] “Se algum destes homens não sente a vocação, antes de protestos,

 

manifestações ou conferências de imprensa, precisa de mudar de carreira. Ninguém é obrigado a ficar.”

 

 

 

            Palavras “implacáveis na objectividade”, que impressionam, mas totalmente desinseridas da realidade. Se não, vejamos.

 

            Em Portugal, tal como acontece nos países que optaram pela abolição do Serviço Militar Obrigatório (SMO), só entram para as Forças Armadas os jovens provenientes dos estratos mais desfavorecidos. Além do mais, para a maioria deles, “ir para a tropa” é algo desprestigiante e de mau gosto. Facto que é agravado, dado o total desinteresse que os sucessivos governos mostraram pelo prestígio dos militares. Por outras palavras, a suprema honra de morrer pela Pátria fica reservada aos pobres, enquanto os ricos, coitados, terão de se contentar com tachos e mordomias, nomeadamente da política e actividades afins. Nesses termos, falar de vocação militar só pode ser por ignorância ou má fé. Quanto mais não seja, porque isto de vocações tem que se lhe diga: é que tal atributo tem uma estranha tendência para escolher os empregos mais chorudos. E, que me conste, ainda não se viu ninguém vocacionado para cavador de enxada…

 

            Ora o senhor ministro, não sendo ignorante, está obviamente a explicar com todas as letras que a Condição Militar é um mero expediente para calar os militares, tirando-lhes toda e qualquer capacidade de defesa dos seus legítimos interesses. Esquece-se ainda que, ao retirar direitos, assume automaticamente a obrigação de proteger os visados. Num país em que continua a vigorar o iníquo princípio de quem mais chora mais mama, o dinheiro retirado àqueles que não têm quem os defendam e não se podem manifestar faz muita falta para satisfazer as reivindicações nos sectores mais sensíveis para a economia, como é a CP a que se refere o governante. Nesses termos, o seu discurso não é sério. É um discurso prepotente de um senhor todo boneco e bem instalado na vida a tentar meter medo aos militares.

 

 

 

            Claro que numa terra onde o sucesso se mede pelos milhões ganhos (sem olhar a meios), com o desemprego à espreita e com a crise de valores generalizada, os militares vão jurar todos a pés juntos que estão cheios de vocação até à ponta dos cabelos. Pudera! Mas não tenhamos ilusões, o discurso do senhor ministro entrou-lhes por um ouvido e saiu-lhes pelo outro.

 

Caminhos Perdidos na Madrugada

 

  

            Caminhos Perdidos na Madrugada é um romance cuja acção decorre em Moçambique no termo da Guerra Colonial. Na plantação de “Chá Molungo” os acontecimentos precipitam-se à medida que no Portugal metropolitano o processo de descolonização se começa a desenhar. Os colonos sentem-se traídos e temem ser abandonados. Começa-se a sentir por todo o lado a influência crescente dos movimentos de libertação, com especial incidência da Frelimo. A acção muda-se para outros cenários: a Academia Militar na Amadora, um cemitério em Castelo Branco, as matas perigosas da região dos Dembos em Angola, a Guiné no tempo de Spínola, a guerrilha maconde no planalto de Mueda. O desfecho são dois nascimentos: de uma criança e de uma Nação.

 

Este livro pode ser adquirido nos seguintes locais: 

  • Núcleo de Oeiras/Cascais da Liga dos Combatentes — R. Cândido dos Reis, nº216 - 1º, 2780-212 OEIRAS (Tel: 266 896 668)
  • Centro de Apoio Social de Oeiras, no ponto de venda da Liga dos Combatentes
  • Centro de Apoio Social de Lisboa (antiga Cooperativa Militar), no ponto de venda da Liga dos Combatentes

Pode ser ainda enviado à cobrança (10,00€ + custos de envio). O pedido deve ser feito através do E-Mail que consta no "Ver Perfil" deste blogue.

 

Livros e Perfumes

 

 

          Os livros, por vezes, são como os perfumes. Os melhores estão nos frascos mais pequenos.
          Lembro que, em tempos, com o título de “Lixo”, escrevi neste espaço uma nota sobre um certo tipo de literatura dedicada à Guerra Colonial. Normalmente em volumes de grosas lombadas, os autores procuram denegrir, da forma mais torpe e despudorada, a actuação das Forças Armadas nesse conflito. Obras que, mesmo quando baseadas em factos reais, acabam por levar o leitor a fazer uma ideia totalmente errada do que se passou verdadeiramente nos teatros de operações africanos. Cheiram mal.
          O livro que agora tenho o prazer de apresentar, de apenas 182 páginas, foi escrito por um antigo alferes miliciano que não se limitou a cumprir o seu dever. Aproveitou para observar o mundo estranho e fascinante onde viveu dois anos de emoções intensas. Dá-nos testemunho das gentes, dos costumes, dos acontecimentos e também das misérias e grandezas dos que participaram na guerra, de ambos lados. Este livro cheira muito bem.
          De câmara fotográfica sempre ao lado da sua espingarda G3, o alferes Daniel Gouveia registou imagens eloquentes que, mais tarde e em boa hora, transformou em palavras. Produziu assim uma obra literária de grande qualidade que é, ao mesmo tempo, um delicioso álbum fotográfico…

Os Militares e a História Recente

 

 
 
Tem-se notado ultimamente, talvez devido ao agravamento da crise económica, uma animosidade crescente contra as Forças Armadas. Animosidade esta que, cinicamente, os sucessivos Governos vão alimentando com a cumplicidade do silêncio. No fundo, estão a ser transformadas no bode expiatório de todos os males que hoje afligem os estratos sociais menos favorecidos — já que os outros continuam a viver “à tripa forra”. Em traços largos, grita-se por todo o lado que, se não fosse o 25 de Abril de 74 — uma irresponsabilidade e cobardia — hoje viveríamos no paraíso. Que os militares de carreira quebraram o juramento de fidelidade à Pátria, debandando de uma guerra de que tinham medo.
Parece-me assim, oportuno avivar a memória das cabeças mais agitadas, para que passem a apontar as suas setas aos verdadeiros responsáveis pelo descalabro corrupto de que enferma a nossa (des)governação actual.
Embora haja hoje, pasme-se pelo delírio, quem diga que a guerra estava quase ganha, não restam dúvidas de que estava condenada à partida. Basta ver o que se passou no Vietname e se está a passar hoje no Iraque e no Afeganistão. E a maioria os mais altos responsáveis pelo regime salazarista, de mãos dadas com os que mais beneficiavam dele, sabiam-no, ao ponto de baldarem os seus filhos à guerra. Para tal, usavam as suas influências pessoais e as mais torpes artimanhas, como sejam compras de testes aos dactilógrafos, radiografias e exames médicos falsificados, cursos no estrangeiro.
Os militares de carreira, passado o entusiasmo inicial de Angola, cedo se aperceberam de que Portugal estava num beco sem saída, isolado e ridicularizado por tudo e todos. Mesmo assim, deram o seu melhor e consentiram ao regime treze longos anos para que a questão ultramarina fosse resolvida. Mas, tanto Salazar como Marcelo, foram incapazes de contrariar os interesses de uma clique “patriotiqueira” (Eça de Queiroz) de ultra direitistas que tinha muito a perder com qualquer espécie de mudança. Mais ainda, apesar do seu esforço, esses militares, uma minoria dentro da totalidade de oficiais envolvidos na guerra, notaram que estavam a ser alvo de uma descredibilização para depois serem culpabilizados pela derrota inevitável. O próprio general Spínola refere este triste expediente no seu livro “Portugal e o Futuro”.
Perante a aproximação do abismo para que Portugal estava a ser lançado, tornava-se urgente derrubar o governo antes que forças políticas, tão revolucionárias como incontroláveis, o fizessem. A demora poderia resultar no banho de sangue preconizado pelas teorias mais radicais. É bom que não se esqueça esse pormenor.
Mesmo assim, como era previsível, não foi possível evitar os desmandos que se seguiram. Porque os portugueses não estavam minimamente preparados para a democracia. E nem sequer é preciso escrever uma tese de doutoramento de cinco mil páginas para o provar… Nessa conformidade, todos sabiam que, por culpa da repressão feroz do anterior regime, toda e qualquer mudança iria lançar o país às feras. E foi o que aconteceu: elas surgiram de imediato, vindas principalmente de exílios dourados ou vermelhos!
Mesmo nesse ambiente conturbado, do qual alguns (poucos) militares são também responsáveis, foi possível, com altos e baixos, entregar o poder a quem de direito: à sociedade civil. E sem derramamento de sangue.
O que se passou nos mais de trinta anos que se seguiram não é culpa dos militares. Deve-se à incompetência e cupidez da classe política. Será de perguntar: o que é que os militares que marcharam para Lisboa na madrugada de 25 de Abril de 1974 têm a ver com todo o imenso cortejo de escândalos vergonhosos que envolvem a classe política e seus compadres?
O que se está a passar é puro oportunismo para sacudir a água do capote, deturpar a História e atirar com poeira aos olhos dos portugueses.